A história, a liberdade de expressão e o interesse público
Revista Flash n°130
O historiador austríaco David Irving foi condenado, semana passada na Áustria, a 3 anos de prisão por negar que, historicamente, tivéssemos prova da existência de um holocausto durante a segunda grande guerra.
Sua inusitada opinião não só ofende a memória de 6 milhões de judeus mortos nas câmaras de gás nos campos de concentração, mas ofende a toda uma nação marcada por esta perseguição implacável, que começa com uma simples intolerância à diversidade de costumes e religião.
Deu azo a que nos países islâmicos aumentasse o tom do discurso daqueles que acreditam ter sido o holocausto uma mera invenção do povo judeu e americano para ajudar a reconstituição do estado de Israel que se deu logo depois do fim da querra em 1.948. Esta reconstituição do Estado de Israel, a propósito, vinha já de ser predita no próprio texto bíblico, como uma profecia do fim dos tempos.
O historiador levantou em sua defesa a bandeira dos direitos fundamentais, e o direito de opinião e liberdade de expressão.
Os historiadores nem sempre são concordes, quando a existência de fatos históricos. Vejamos, por exemplo a descoberta da América. Para alguns o Vikings aqui estiveram desde o século 12, com base num mapa de 1.150, onde aparecia a terra de “blessil”, ou terra abençoado, numa remissão às exuberâncias da fauna e da flora, ou ainda esculturas na frente de templos Incas com incríveis coincidências de figuras bíblias anunciadas no livro de apocalipse. Para outros, o espanhol Francisco Pizon esteve no nordeste do Brasil e subiu até encontrar a costa da “Venezuela”, ou pequena Veneza, devido a semelhança das cidades indígenas construídas sobre o mar em casas de palafitas e balsas circulantes entre elas.
A carta de Pero Vaz de Caminha somente foi encontrada em 1.803, escondida na Torre de Belém em Lisboa, para onde foram os documentos antigos depois do terremoto que devastou aquela cidade em 1.575. Trata-se de uma certidão de nascimento de nosso país. No mês passado, foi apresentado em Pequim na China, um Mapa de um navegador Chinês que seria datado de 1432, onde já se fazia constar as terra da América do sul e América central. Três, assim, pelo menos, teriam descoberto a américa antes de Colombo.
Aliás, o nome “América” veio da crença que se tinha de que a Viagem de Américo Vespúcio, em 1.502, relatada ao Papa, na carta entitulada “Mundus Novus” onde relatava as belezas da costa brasileira, teria sido o verdadeiro descobrimento. Esta carta foi reproduzida mais de duzentas mil vezes e popularizou o nome de Américo, que não era descobridor, não era navegador, mas sim sobrinho de um banqueiro de Florença que financiara a viagem de reconhecimento das terras e identificação das divisas do tratado de Tordesilhas pelo rei de Espanha.
Assim, como se vê a história não é imutável, e vai sendo descoberta ao longo de pesquisas, mas estas diferentes opiniões de historiadores não desafiam o relevante interesse público, tal como se viu na negação do holocausto, que somente acirra o ódio entre duas grandes nações tornando cada vez mais distante a paz no oriente médio.
Ricardo Azevedo Leitão