“ATÉ TÚ BRUTUS”
02 de abril de 2009
Traído pelos seus companheiros do Senado, Júlio César, o grande imperador romano, foi espancado até a morte. Ao olhar para os seus agressores teria dito a célebre frase, se dirigindo ao seu particular secretário e amigo. Todos conhecem a história.
Com o mesmo espanto, recebo a notícia de que a filha de FHC, Luciana Cardoso, recebia salários de assessora de um Senador do PSDB, sem sequer ser vista no Senado Federal. Indagada, respondeu que trabalha mais em casa, pois o Senado é uma bagunça. Indagado, o ex-presidente informou que isto é o exemplo de um sistema de representação que está falido.
FHC tem razão. Sonhei outro dia, enquanto dormia profundamente, que uma emenda constitucional diminuiria para 250 o número de parlamentares, e estes eram probos e estavam realmente preocupados com o futuro da nação.
Luciana Cardoso também tem razão, o Senado Federal é uma bagunça. Só não entendi porque aceitou se locupletar, sem um trabalho palpável e concreto, de salário de assessora, manchando a imagem de seu Pai, hoje um grande líder da oposição. Não entendo e dificilmente entenderei.
Na Roma antiga, Cesar mandou matar sua esposa acusada de corrupção, sob a alegação de que a esposa de Cesar não bastava ser honesta tinha de parecer honesta.
Enquanto isto no Planalto a ambiguidade do Presidente Lula se caracteriza como o seu maior legado. Lá no exterior se apresenta com discursos de esquerda e cheio de frases de efeito, que no âmbito político jamais nos rendeu qualquer dividendo diplomático, pelo contrário, só aumenta a resistência ao seu nome. Estabelece confrontos diplomáticos e preconceituosos e absolutamente desnecessários, como aquele de semana passada quando disse na presença do Primeiro Ministro Britânico que a crise foi feita por pessoas “brancas de olhos azuis”.
Não muito distante dali, usando todo o seu poder de Presidente do Supremo Tribunal Federal, o Ministro Gilmar Mendes continua a sua cruzada contra qualquer Juiz, Promotor, Delegado ou Agente da Polícia Federal, que investiga e manda prender qualquer figurão acusado de corrupção. Na ótica do Magistrado, confunde-se decreto de prisão com pirotecnia; investigação com vontade de aparecer; novo decreto de prisão com desrespeito às lições de direito emanadas de suas decisões libertárias.
Em outras paragens, no belo bairro do Morumbi, em São Paulo, o Governador José Serra brada contra o fumo em locais públicos ou fechados, recebendo a oposição do fumante Presidente da República que defende a prática do tabagismo em todos os lugares.
E assim “La nave vá”.
Ricardo Azevedo Leitão